Eu leio #4: mais leituras de 2016

Volteeei com mais uma parte da lista de coisinhas que ando lendo nesse ano E-TER-NO (nota mental: não deixar pra atualizar essa lista de uma vez só):

the-kiss-of-deception#26 – 28 The remnant chronicles (The kiss of deception, The heart of betrayal e The beauty of darkness) da Mary E. Pearson (2014-2016).

Fiquei curiosa de tanto ver esse livro em listas por aí e fui experimentar. O começo foi meio devagar, criando todo um contexto pros acontecimentos que mexem bastante com a parte final. A narrativa gira em torno da Lia, uma princesa prometida que foge no dia do próprio casamento, o que dá início à busca por ela, mas também acaba desencadeando revelações sobre quem ela é e o seu papel no futuro político e religioso de diferentes reinos. A construção da profecia que permeia toda a história é bem construída e somado a isso temos um triângulo amoroso, muitas mortes, traições e reviravoltas. Honestamente, eu esperava mais, mas li até o fim porque tenho esse problema de precisar saber como as coisas terminam.

high-rise

#39 High-rise, J. G. Ballard (1975). Livro estranhíssimo e incômodo que trata da decadência da vida de um grupo de moradores de um arranha-céu de luxo. Uma nova ordem social emerge ao mesmo tempo que as pessoas retomam comportamentos primitivos e animalescos, numa contradição que rende muito e, mesmo lidando com um tema comum (evolução tecnológica versus involução humana), consegue surpreender. Cenas fortes e perturbadoras. Eu ouvi audiobook, lido pelo Tom Hiddleston, que também estrela a adaptação do livro pro cinema.

 

the-nest#30 The nest (A Grana), Cynthia D’Aprix Sweeny (2016). Confesso que tava curiosa pra ler esse livro desde que vi ele na lista de lançamentos do ano. Não é como eu esperava, o que não é ruim: é surpreendente. Conta a história dos irmãos Plumb, que esperam por uma herança (que eles chamam de the nest/o ninho) que acaba sendo gasta pra abafar um escândalo envolvendo um deles. O fato acaba revelando muito sobre essa família disfuncional e problemática, mas também possibilita uma história sobre aceitação e libertação. Gostei de como a autora explora as diferenças entre os irmãos, fazendo deles ciumentos e competitivos.

 

the-snow-child#31 The snow child (A menina da neve), da  Eowyn Ivey (2012). Uma história linda que tem como cenário o Alasca em 1920. Jack e Mabel se mudam pra lá pra recomeçar a vida depois da perda do filho recém-nascido. O que eles não esperavam era encontrar, na floresta perto de casa, vestígios de uma menina que parece estar perdida por ali. Eu tenho um fraco por histórias que envolvam neve e explorem essa simbologia. The snow child me deu exatamente isso: os dois lados de um mesmo elemento misturados com dor, luto, afeto, amor e um pouco de mágica. Um livro sobre como nossas vidas afetam outras, sobre a bondade, sobre a amizade e a sobrevivência. Uma leitura belíssima, dica do Lucas!

 

the-bartered-bride #32 The bartered bride (A noiva prometida), da Cheryl Reavis (1996). Minha paixão por histórias (e por consequência, por literatura) se formou na minha infância/adolescência enquanto eu lia os romances de banca da minha mãe. Tenho um carinho muito grande pelas séries Júlia, Sabrina, Bianca e (meus favoritos) Romances Históricos – e ainda restam muitos volumes aqui em casa! Mas A noiva prometida foi um dos meus queridinhos nessa época e resolvi reler no original depois de tantos anos: ai, que nostalgia, que saudade! Tudo bem que o enredo não é uma obra-prima, mas esse volume me traz lembranças boas E EU ME LEMBRAVA DA HISTÓRIA DO COMEÇO AO FIM. O livro é sobre a Caroline, durante a Guerra Civil americana, que se vê grávida e abandonada, pra humilhação do irmão mais velho, que a dá em casamento pro Frederich Graeber. Além dos noivos se odiarem, o Frederich era marido da irmã da Caroline, que morreu durante o parto. Dá pra imaginar que as coisas não vão ser fáceis pra nenhum dos dois: mágoas, desentendimentos, guerra, gravidez ilegítima. Segura, coração!

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#33 A feast for crows e #34 A dance with dragons (A song of ice and fire #4 e #5), do George R. R. Martin (2005; 2011). Sim, eu leio os livros e (vou confessar) gosto mais deles do que da série de tv. CALMA: eu adoro o show, mas pra mim algumas coisas são simplificadas demais – tá, daria muito trabalho levar alguns dos enredos pra tela, blah, blah – e me irrita um pouco como a produção transforma alguns dos ‘mistérios’ dos livros em coisas menores e planas. Mas ok, até a HBO tem um orçamento, né. Mas não me canso de admirar como o Martin consegue costurar uma narrativa desse tamanho e nos fazer continuar lendo e relendo as mais de 5 mil páginas. Minha outra neura é que prefiro ler os livros antes de ver a série, então fiz maratona depois de terminar o volume cinco, o que me jogou num buraco negro (de onde nunca mais saí) das teorias e especulações sobre os próximos volumes e o desfecho da série. Adoro as teorias loucas da internet!

the-girls#35 The girls, da Emma Cline (2016). Outro livro que me deixou curiosa depois que li a sinopse: EUA, fim dos anos 1960, uma adolescente se envolve com grupo de garotas que frequentam um sítio onde mora o líder de um movimento meio hippie, meio culto. Inspirado, claro, no Manson e nos seus seguidores, The girls foca no grupo de meninas que vive ao redor do líder e fazem tudo o que ele manda. A protagonista, Evie, tá numa fase estranha vida, aquele momento entre adolescência e vida adulta e vê nas garotas uma oportunidade de escapar da rotina e das pressões da família. Confesso que esperava mais, mas é uma narrativa que constrói bem a imagem do cara cativante que usa as pessoas pra fins egoístas e imbecis, ainda que não seja bem por ele que a Evie se meta em encrenca.

me-and-earl-and-the-dying-girl#36 Me and Earl and the dying girl (Eu, você e a garota que vai morrer), do Jesse Andrews (2012). Esse foi um caso em que vi o filme primeiro porque nem sabia que tinha um livro até a Vicky me recomendar o audiobook. A história é simples na superfície, mas é um daqueles livros ‘bobos’ que trata de assuntos seríssimos e a gente nem se dá conta (só no fim, quando já tá super envolvida): Greg é um garoto que evita todo mundo na escola pra não fazer inimizade com ninguém – na verdade, ele só tem um amigo, o Earl, e os dois criam uns filmes muito loucos juntos. A paz do Greg acaba quando a mãe dele o obriga a passar um tempo com a Rachel, de quem ele não é amigo há anos, mas que foi diagnosticada leucemia. Esse poderia ser mais um livro sobre adolescentes doentes, mas consegue ser engraçado e traz referências ótimas de cinema e arte. Ri muito mesmo porque a narração é hilária. Ainda que tu não leia o livro, assiste o filme: vai te apertar o coração, mas vai te fazer muito feliz também.

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#37 We were liars (Mentirosos), da E. Lockhart (2014). Cadence é a neta favorita da família Sinlcair. Ela, os primos Johnny e Mirren e o amigo Gat formam um grupo inseparável todo verão até que um acidente afasta Cadence de todos. Dois anos depois, ainda lutando contra os efeitos do acidente, ela volta à ilha com a família pra reencontrar os amigos, mas parece que as coisas não são mais tão maravilhosas como antes. Um livro pra leitores atentos – o que eu não fui, porque no final fiquei me perguntando COMO NÃO VI ISSO ANTES? Leitura super fluida porque a gente fica querendo saber qual o mistério da história: li numa prestação só.

fortunately-the-milk

#38 Fortunetely, the milk (Felizmente, o leite), do Neil Gaiman (2013). Outro livro pra ler numa sentada. Diz que é pra criança, mas eu ri muito com ele. Comprei um trio de livros do Gaiman ilustrado pelo Chriss Riddell e esse estava junto. Não conhecia, mas me diverti pra caramba: conta a história do pai de duas crianças que sai pra comprar leite, mas acaba viajando no espaço/tempo numa aventura maluca com direito a piratas espaciais e tudo. Um viva pra criatividade do Gaiman!

coraline

#39 Coraline, do Neil Gaiman (2002). Esse também estava na caixinha, junto com o Fortunetely, the milk e The graveyard book (que ainda não li). Já tinha visto o filme, mas achei o livro muito mais assustador, com cenas muito bem descritas pra te dar aquele medinho. Se tu não conhece a história, o livro fala da Coraline, uma menina de férias da escola que passa muito tempo sozinha e acaba descobrindo uma porta misteriosa em casa que dá passagem pra um universo alternativo. Lá, os pais dela se mostram muito amorosos e a vida parece bem mais colorida até que a Coraline percebe que as intenções da mãe do lado de lá não são bem o que parecem. Tem coisas que o Gaiman faz pelo leitor!

the-marriage-plot#40 The marriage plot (A trama do casamento), do Jeffrey Eugenides (2011). Madeleine estuda literatura inglesa, em especial os mecanismos dos enredos com casamento. Em uma das aulas, ela conhece o Leonard e os dois engatam um relacionamento ao mesmo tempo em que um amigo dela, Mitchell, reaparece com a certeza de que a Madeleine é a pessoa perfeita pra ele. Um livro sobre os amores e desamores da vida adulta, dos relacionamentos, sobre a beleza da literatura e as ironias da vida real. Cheio de referências sobre arte e cultura dos anos 1980, com passagens belíssimas sobre leitura e relacionamentos. Recomendação do Lucas e eu adorei!

 

my-lady-jane#41 My lady Jane, da Cynthia Hand, da Brodi Ashton, e da Jodi Meadows (2016). Eu tenho um fraco por histórias sobre a monarquia inglesa. Quando li a sinopse desse livro, resolvi experimentar e não me arrependi: o enredo segue a história da Jane Grey (que de fato existiu), prima do rei Edward VI, que é nomeada por ele no leito de morte como sucessora ao trono. Pobre Jane é rainha por nove (NOVE!) dias até ser presa na Torre de Londres e executada como traidora junto com o marido por ter ‘roubado’ o trono da Mary I (irmã da Elizabeth I). ou pelo menos isso é o que os livros de história contam. Em My lady Jane, as coisas são um pouco diferentes – as autoras são muito inteligentes ao transformar essa tragédia num livro engraçado e irônico, usando elementos do gênero fantasia pra trabalhar as diferenças entre os partidos inimigos na corte. Tudo muito divertido e o final não desaponta!

bird-box#42 Bird box (Caixa d pássaros), do Josh Malerman (2014). Todo mundo já viu esse volume por aí e ele me venceu pela insistência de ficar aparecendo em tudo quanto é site. Quando um livro é muito comentado, minha curiosidade aumenta, mas também aumenta a desconfiança. Nem tudo o que reluz é ouro, né? A grande sacada desse livro é o suspense/mistério cercando as causas da confusão toda. O enredo gira em torno da Malorie e como a vida dela se transformou a partir do dia em alguma coisa apareceu nas ruas, pelo mundo todo, e foi deixando todas as pessoas que olham ‘pra essa coisa’ loucas. É um apocalipse, com todo mundo se fechando em casa sem olhar pra fora e saindo na rua de olhos fechados. Mas a Malorie tem dois filhos pequenos e tá sozinha numa casa que não é mais segura. Ela tem de levar as crianças pra um abrigo, mas pra isso eles precisam pegar um barco e viajar pelo rio DE OLHOS FECHADOS. Li rápido porque queria saber o final; o resultado é que acabou logo, mas vale a leitura pela tensão toda.

hedwig-and-the-angry-inch#43 Hedwig and the angry inch, do John Cameron Mitchell (1998). Eu conheci o filme antes da peça (no Brasil, o filme chama Hedwig – Rock, Amor e Traição) e me apaixonei pela história e pelo Mitchell, que interpretava a Hedwig. Aí descobri que o filme foi adaptação de um monólogo/musical off Broadway de mesmo nome. A partir daí, me tornei obcecada por tudo Hedwig (meu sonho é ver o Mitchell ao vivo na produção, mas parece que ele aposentou as sandálias depois da turnê nacional). Ao longo dos anos, muitos atores já interpretaram a Hedwig, mas o Mitchell segue meu favorito: a peça é sobre o Hansel, um jovem alemão que vive com a mãe na Alemanha Oriental e se apaixona por um oficial americano. Pra sair do país, Hansel precisa casar com o soldado, mas pra casar, ele precisa ser uma mulher. Aí mora o problema, porque a cirurgia de troca de sexo é malsucedida e Hansel acaba nem homem, nem mulher, mas no meio, apenas com ‘an angry inch’ (‘uma polegada furiosa’) de carne. Ele assume o nome e o passaporte da mãe, Hedwig, e vai pros EUA, onde é abandonado pelo marido e precisa fazer vários bicos pra se sustentar, nunca abandonando seu amor pela música. Quando a peça começa, Hedwig está tocando na frente do show do famoso Tommy Gnosis, seu antigo namorado e a grande razão pro monólogo acontecer. O texto é maravilhoso: ácido, apaixonado, cheio de passagens lindas que questionam o amor e a procura pela nossa metade, tudo acompanhado de músicas são incríveis. Amor define!

and-i-darken#44 And I darken (The conqueror’s saga #1), da Kiersten White (2016). Eu tava muuuito curiosa pra ler esse livro sobre a suposta filha e herdeira Dragwlya (sim, do Drácula), Lada. A história gira em torno do Império Otomano e vida da Lada e do irmão dela na corte inimiga, entregues pelo próprio pai como forma de ‘acalmar’ fúria dos outros imperadores/reis. Admiro a quantidade de pesquisa que o livro deve ter exigido, mas tive um pouco de dificuldade em gostar dos personagens e até de me interessar pelo enredo, no geral – e eu queria tanto! Depois da metade fica mais interessante e pelo que li sobre os outros volumes, a situação fica mais intensa com as guerras pelas terras e pelo poder se desenrolado.

 

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#45 Ready player one (Jogador número 1), do Ernest Cline (2011). Conhece alguém que curte vídeo games, mas ainda não descobriu o prazer da leitura? ESSE É O LIVRO pra convencer essa alma perdida! Juro, acho muito difícil alguém que curte o universo geek não se render: o ano é 2044 e o mundo tá mergulhado na tecnologia e na desigualdade social. Wade Watts é nosso protagonista e passa a maior parte do tempo logado no Oasis, uma espécie de The Sims, mas muito mais evoluído, beeem menos tosco (escola em realidade virtual e viagens interplanetárias por universos ficcionais estão envolvidos) e gratuito. O dono do Oasis morreu e deixou vários enigmas e desafios dentro dos milhões de universos da plataforma: quem for o primeiro a passar por todas as etapas é o vencedor e o prêmio é fortuna do cara e O PRÓPRIO OASIS. Sendo o alucinado por cultura dos anos 1980 que o Wade é, o que ele mais deseja (e o que tá mais longe de alcançar) é vencer os desafios pra salvar o Oasis de cair nas mãos de empresas que só querem o lucro. Um livro recheado de referências bacanas, como outros livros, jogos arcades, filmes e música da década mais louca da nossa história, é como se a gente estivesse jogando também e se divertindo horrores!

Até a próxima! (sim, ainda não acabou)

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