eu leio #5: ainda leituras de 2016

Última parte das leituras do ano, finalmente:

armada

#46 Armada, do Ernest Cline (2015). E se todos os videogames que a gente joga fossem, na verdade, parte de um treinamento secreto para preparar a humanidade para uma invasão alienígena? Esse é enredo de Armada, que fui ler depois de terminar Ready player one, que foi sensacional. Esse não é tããão incrível, mas não deixa de ser divertido e, por ser cheio de referências nerds bacanas, não tem como não curtir. Gosto muito dos personagens que o Cline cria e do humor que ele usa nas histórias.

virgins#47 “Virgins”, da Diana Gabaldon (2013). Sou muito fã de Outlander (dos livros e da série) e mesmo não tendo terminado todos os volumes, acabei lendo essa novela (publicada na antologia Dangerous women, editada pelo George R. R. Martin – mas também vendida separadamente). Nela, o Jamie e o Ian, melhores amigos desde sempre, aparecem ainda jovenzinhos numa aventura envolvendo uma noiva judia e um tesouro que precisam ser levados pra Paris. Como sempre, a Gabaldon consegue invocar um mundo de mistério, sensualidade e relacionamentos complexos que dão credibilidade pra história. Além disso, ela tem uma habilidade de criar situações engraçadas com sutileza e um humor muito próprio. Acho que no fim a novela funciona como uma boa porta de entrada pra quem não conhece Outlander ou tá na dúvida se vai gostar da leitura.

dangerous#48 “The Princess and The Queen, or, The Blacks and The Greens” (“A Princesa e a Rainha – ou, Os Negros e Os Verdes”), do George R. R. Martin (2013). Também publicada em Dangerous women, essa novela dá um pouco mais de contexto sobre o que foi a Dança dos Dragões (que dá nome ao quinto livro das Crônicas). Aqui, a gente tem o relato de um dos Arquimeistres da Cidadela de Vilavelha, Gyldayn, sobre as disputas entre os Negros e os Verdes depois da morte do Viserys I, que se tornou uma guerra civil sangrenta: Aegon II e Rhaenyra, filhos do rei morto, travam uma batalha pelo direito ao trono. Admiro imensamente a capacidade do Martin de criar documentos históricos ficcionais pra própria ficção dele! Mais sobre a Dança aqui.

a torch against the night.jpg

#49 A torch against the night (Uma tocha contra a noite, trad. livre), da Sabaa Tahir (2016). Sequência de Uma chama entre as cinzas, o segundo volume da série me agradou mais do que o primeiro. Gostei mais da exploração dos diferentes pontos de vista e das reviravoltas do enredo. A Tahir tem uma imaginação e tanto e consegue construir um universo incrível, cheio de magia (sem ser chato), aventuras e personagens teimosinhos que a gente acaba amando.

nutshell#50 Nutshell (Enclausurado), do Ian McEwan (2016). Um dos livros mais surpreendentes do ano pelo simples fato do narrador ser alguém que nem nasceu ainda. Sim, a criança, de dentro da barriga da mãe, narra a história de como a mãe, Trudy, traiu seu pai e, pelo que parece, tá metida numa encrenca danada. A capacidade do McEwan de nos levar pra esse universo de sons, sensações, e percepções é incrível. Tudo que o narrador tem pra entender o mundo e o que tá acontecendo se baseia nos sons e nas sensações que ele experiencia dentro do útero. Me lembra um pouco Hamlet pela questão do amor cego pela própria mãe versus a raiva pela traição ao pai. Pode não ser tua primeira escolha de leitura, mas garanto que é muito envolvente.

fangirl#51 Fangirl, da Rainbow Rowell (2013). Quase todo mundo que lê YA tem um caso de amor com Eleanor & Park. Menos eu. Do que eu li da Rowell até hoje, Carry on é, sem dúvidas, meu favorito. Já Fangirl (que originou Carry on) é daqueles livros “amorzinho” que, se eu tivesse lido quando era mais jovem, teria adorado. Aqui, a gente tem a história de duas irmãs gêmeas que vão pra faculdade, mas uma delas resolve morar sozinha e a outra, Cath, se vê forçada a enfrentar seus medos e a vida acadêmica sem sua outra metade. A Rowell cria personagens maravilhosos e essas experiências meio que estragam a vida real pra mim (hahaha).

ross-poldark#52 Ross Poldark (Poldark #1), do Winston Graham (1945). Já falei que tenho um problema seríssimo com séries de tv e depois de ver a primeira temporada de Poldark, quis ler o livro 1 pra saber se as coisas eram iguais (não sei como explicar minhas estranhezas). Acontece que o livro 1 é, sei lá, os 3 primeiros episódios, mas tudo bem, até porque não acontece muita coisa mesmo no enredo. Então: depois de três anos como soldado real na Guerra de Independência Americana, Ross Poldark volta pra casa na Cornualha (País de Gales) pra retomar os negócios de mineração do pai e as terras da família. Só que ele não imaginava que nesse período a família pensaria que ele estava morto e sua namoradinha de adolescência, Elizabeth, fica noiva do primo do Ross. Além disso, as terras que ele tem como herança estão abandonadas e a mina não dá mais dinheiro. Sofrenildo. A partir daí, ele começa uma transformação na própria vida, tentando aceitar o casamento da mocinha com outro e lutando contra todos os impedimentos e dificuldades econômicas e sociais da época. Como tenho um fraco por romances históricos e pela história do Reino Unido em geral, tanto a série de tv como a de livros pra mim é um prato cheio!

a-dolls-house#53 A doll’s house (Casa de bonecas), Henrik Ibsen (1879). Eu não costumo ler muitas peças de teatro, mas esse texto é tão incrível que não sei como nunca tinha lido antes! O enredo gira em torno da Nora Helmer, esposa e mãe dedicada que tem por missão na vida satisfazer todos os desejos do marido. Aparentemente, Nora é uma esposa mimada e um tanto infantil, mas guarda um segredo que pode arruinar seu casamento e sua reputação. Existe uma oposição entre as aparências e a verdade no texto, entre o social e o particular, entre as expectativas e as vontades. Nora vai recuperar sua identidade aos poucos, vai conquistar sua voz e sua subjetividade, numa crise entre o que querem que ela seja e quem ela quer ser. Uma crítica ao papel da mulher na sociedade e no casamento, o texto (escrito há mais de 100 anos!)cabe muito bem nos dias de hoje.

red-rising#54 Red rising (Red Rising #1 – Fúria vermelha), do Pierce Brown (2014). Darrow é um Vermelho, a casta mais baixa da sociedade formada por trabalhadores que se dedicam a tornar a superfície de Marte habitável para as castas superiores. Mas, depois de descobrir que sua vida é uma mentira e de perder o seu grande amor, Darrow vai se infiltrar no Instituto para colher informações e atrapalhar os planos da alta sociedade de dentro das suas organizações. Pra isso, ele deixa tudo atrás e vai passar a conviver com as pessoas que ele tanto despreza. Confesso que achei um pouco difícil de me conectar com os personagens, mas tem ótimas cenas de reconstrução física e os conflitos são bem violentos e desafiam o Darrow moralmente. Mas ainda não decidi se vou ler os outros volumes.

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#55 The Ninth Life of Louis Drax (A nona vida de Louis Drax), da Liz Jensen (2004). Fui ler o livro porque vi o trailer do filme – sou dessas. Recomendação: não veja o trailer, porque ele acaba entregando o mistério (por que fazem isso, hein?)! O livro conta a história do Louis, que é um garoto muito propenso a acidentes graves, que acredita que é tudo coisa do destino. Até o dia do seu nono aniversário, em que ele sofre outro acidente e entra em coma, acabando por envolver muita gente na sua vida, inclusive pessoas que não acreditam nas fatalidades do destino. Bom suspense, com uma dose de supernatural!

the-scorpio-races#56 The Scorpio Races (A corrida do escorpião), da Maggie Stiefvater (2011). Eu adoro dicas de leituras – nem sempre dou conta de chegar lá, mas eu tento! Esse quem me indicou foi a Ana Alves via o Goodreads e, depois de ler a descrição, fiquei muito interessada. A história gira em torno da Corrida do Escorpião, uma competição anual onde cavaleiros da ilha (em algum lugar do País de Gales) tentam domar os cavalos marinhos que emergem do oceano a cada novembro. O problema é que esses cavalos são selvagens e extremamente violentos, dificultando a vida de quem quer ganhar o prêmio (às vezes até acabando com a vida daquela gente doida!), o que envolve muito talento dos jóqueis e muita superstição. O enredo central é do Sean (que já foi campeão muitas vezes na Corrida) e da Puck (que nunca competiu, mas que se vê obrigada a tentar a sorte). Gostei muito de como a autora traz a lenda dos cavalos marinhos pras páginas do livro com descrições muito boas, além dos personagens bonitinhos!

the-duke-and-i#57 The Duke and I (Bridgertons, #1 – O duque e eu), da Julia Quinn (2000). Dica que vi no canal da Deborah Simionato. Nunca tinha lido nada da Quinn, mas descobri que ela escreve o tipo de romance/ficção histórica que eu curto muito: leve, divertido, e amorzinho. O duque e eu segue a história do Simon Basset, Duque de Hastings, que se considera um solteiro convicto, e da Daphne Bridgerton, irmã do melhor amigo do Simon. Os dois combinam uma corte encenada, pra atrair mais uns pretendentes melhorzinhos pra Daph que, coitada, só atrai coisa estranha. Aí é claaaaro que esse negócio não vai dar certo, né? Achei a história bem engraçadinha e ri de verdade com algumas cenas – pra quem curte aquele tipo de romance que te faz sentir bem!

the-book-of-strange-new-things#58 The Book of Strange New Things (O livro das coisas estranhas), do Michel Faber (2014). O livro mais diferentão que li em 2016, esse com certeza é daqueles perturbadores e esquisitos até o fim. Segue a história do Pastor Peter, que é enviado ao planeta Oasis para catequizar a população local; pra isso, ele deixa na Terra a mulher, seu gato e sua casa numa expedição prevista para durar alguns meses. As coisas complicam quando ele vai mergulhando cada vez mais no seu trabalho e se distanciando um pouco da esposa, que manda umas mensagens tenebrosas contando que as coisas aqui em baixo não estão nada boas. Confesso que tava esperando algo bem diferente do eu li – acredito que por causa de todos os filmes de scifi que já vi – em especial pela tensão que vai se desenvolvendo ao longos dos capítulos. A narrativa levanta muitas questões sobre a humanidade, sobre sobrevivência, sobre compaixão, mas acima de tudo, esse me pareceu um livro sobre a relação entre dois indivíduos separados, literalmente, pelo infinito. Vale a experiência!

one-day-in-the-life-of-ivan-denisovich#59 One day in the life of Ivan Denisovich (Um dia na vida de Ivan Denisovich), do Aleksandr Solzhenitsyn (1962). Novela curtinha sobre um dia na vida de um prisioneiro num campo de prisão russo, preso injustamente acusado de espionar para os alemães durante a guerra. As dificuldades que o Ivan enfrenta e os detalhes que compõem a vida de um prisioneiro que precisa trabalhar enfrentando a neve e as temperaturas negativas (só com -40°C é que o trabalho é suspenso) são de partir o coração. Uma história triste e gelada, mas que vê no protagonista um ponto de esperança, que aprende a ver as coisas boas em meio à tragédia que é sua vida.

#60 Heartless, da Marissa Meyer (2016). Livro amadinho! Falo dele aqui.

#61 e #62 Saga, Volumes 1 (2012) & 2 (2013), do Brian K. Vaughan. Confesso que não leio tantas graphic novels como gostaria, mas Saga ficou bem famosinha nas internets e, depois de ver tanta gente falando da série, fui ler. E não é que o negócio é bom? Gostei muitíssimo do que li até agora (mas ainda falta um montão)! Segue a história de uma criança nascida de duas espécies inimigas e de como essa família tem de fugir pelas galáxias pra continuarem vivos. Isso somado à construção de um universo ficcional incrível, com muitos planetas, raças, e mitologias bem definidas – tem de tudo e as ilustrações são mucho locas! Umas das leituras mais fantásticas do ano, recomendo pra quem curte ficção científica e desdobramentos de enredos!

modern-lovers#63 Modern Lovers, da Emma Straub (2016). Nem sempre eu gosto de começar pelo livro mais ‘badalado’ de um autor; por isso pulei Os veranistas e fui ler Modern lovers, livro novo da Straub. O enredo gira em torno de um grupo de amigos que se conhecem na faculdade, formam uma banda (de sucesso nulo) e vão morar na mesma rua. Todos, exceto uma, que resolveu continuar investindo na música, ficou famosa e morreu ante dos 30. Quando o livro começa, os amigos restantes já têm filhos adolescentes e carreiras definidas (bom, quase), mas tudo isso corre o risco de mudar quando uma produtora, interessada em fazer um filme sobre a vida da amiga famosa, começa a revirar a vida deles. Problemas à vista! Demorei um pouco pra engrenar a leitura, mas acabei gostando de como o passado vai sendo revelado aos poucos e também dos diferentes narradores.

the-hating-game#64 The Hating Game, da Sally Thorne (2016). Livro de estreia da Thorne, me chamou atenção pelo enredo e porque eu queria ler uma coisinha leve em meio à montanha de trabalho. Coisa mais fofa! Chick lit das boas, com um humor gracinha e personagens divertidos. Conta a história da Lucy e do Joshua que, depois que as empresas em que eles trabalhavam se juntam, são obrigados a tolerarem a existência um do outro dentro das quatro paredes do escritório. Mas será que esse ódio todo é ódio mesmo? Fazendo jus ao ditado ‘quem desdenha quer comprar’, The Hating Game é bastante esperto em cativar o leitor com a premissa do ódio entre colegas, com cenas engraçadas desde o início!

ak#65 Scrappy little nobody, da Anna Kendrick (2016). Vi a Anna dando uma entrevista sobre o livro dela e fiquei curiosa. Admiro o trabalho dela e acho que ela é engraçada e quirky sem ser chata ou previsível. Me surpreendi muito com a honestidade do livro: se tu acha que vida de celebridade é uma maravilha, Anna vai te mostrar que ela trabalha muito e que a fama não significa compensação financeira. Me identifiquei muito com ela em vários aspectos, em especial com o fato de ela ter essa personalidade ‘engraçadinha’, mas ser alguém séria e autocrítica, que ama regras e tem problemas de autoestima como todo mundo. O humor dela me agrada muito e ela mesma narra o audiobook, então foi dose dupla de diversão.

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#66 The rest of us just lives here, do Patrick Ness (2015). Livro bonitinho sobre o Mike a família altamente disfuncional, sobre os amigos da escola e sobre um mundo muito esquisito em que ataques do sobrenatural ameaçam a vida da humanidade. É um livro esperto por misturar as tensões e neuras da adolescência com ameaças que fogem da lógica social, dando um ar apocalíptico pra uma história que poderia ser bem pesada e desconfortável: virar adulto não é fácil, mas enfrentar fantasmas e vampiros é muito mais divertido do que pagar o IPVA, por exemplo.

celtic-tales#67 Celtic tales: Fairy Tales and Stories of Enchantment from Ireland, Scotland, Brittany, and Wales, da Kate Forrester (2016). Sempre gosto de saber mais sobre as culturas locais do Reino Unido e Celtic Tales é uma porta de entrada bem bacana pra quem não conhece as lendas/histórias tradicionais da região. O livro é dividido em seções temáticas e cada história aponta o país de origem também. Tem animais falantes, gigantes malvados, bruxas de meia-idade e bêbados de sobra. Achei bem divertido e dá uma boa noção das coisas/ideias que permeiam a cultural e o inconsciente coletivo da região.

demelza

#68 Demelza (Poldark #2), do Winston Graham (1946). No primeiro livro, a Demelza não apareceu muito (pelo menos não com grande destaque) e nesse segundo volume da série a gente conhece um pouco mais dela. Filha de mineiros, inocente e corajosa, ela vai se tornando uma ‘dama’, como ela quer ser, mas também vai se tornando mais dona de si mesma e das suas opiniões. Apesar de ‘nova’ pra mim, Demelza é uma das minhas personagens femininas favoritas por apresentar uma evolução tão profunda e coerente: enquanto os homens seguem dando murro em ponta de faca, ela só melhora!

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#69 My name is Lucy Barton (Meu nome é Lucy Barton), da Elizabeth Strout (2016). Experimentei uma mistura de sentimentos enquanto lia esse livro. Fiquei curiosa com os primeiros capítulos (Lucy Barton está internada pra uma cirurgia que deveria ser simples, mas vai ficando no hospital sem motivo aparente). Fiquei intrigada com o desenrolar da história, tentando entender se tudo aquilo era verdade ou alucinação. Fiquei chocada com algumas passagens (descritas friamente pela narradora, num jogo bacanérrimo com as palavras). Fiquei triste com a vida da Lucy, em geral; mas no fim do livro ainda senti que aquilo tudo foi só a superfície, que ela não nos dá nada de graça, que a verdade tá submersa nos eventos aparentemente simples. Com certeza, merece uma releitura.

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#70 Persuasion (Persuasão), da Jane Austen (1818). Leitura rápida e divertida, a Austen sempre consegue me surpreender com a profundidade das personagens que ela cria e com as críticas sociais que ela insere no texto de forma tão sucinta e eficiente. esse é meu seu segundo Austen e já tô olho em Northanger Abbey!

Ainda tô lendo algumas coisas nessa última semana de 2016, vai que dá tempo de terminar ainda esse ano! Mas, no geral, foi um ano muito bom no que diz respeito às leituras. Consegui ler muito mais do que o previsto e me diverti, que é o que importa! Que 2017 traga muitas leituras delicinha ❤

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