Eu leio #8: 7 leituras de janeiro

leituras2

Pois, 2017 começou voando e janeiro já se foi – como assim?!! Esses meses de “férias” são os piores pro meu trabalho como freelancer, as coisas dão uma adormecida por aqui e eu acabo com mais tempo pra outras atividades. Já falei em outro post que sou fã dos audiobooks, que acabo ouvindo enquanto faço algumas tarefas, e esse mês dividi bem os livros lidos e os “ouvidos”.

more-happy-cover

O ano começou muito bem com a leitura de More happy than not, do Adam Silvera (2015). Livro querido, amadinho, sobre um garoto que tá enfrentando a morte do pai e de um amigo, enquanto tenta se ajustar ao namoro com a menina mais bacana do bairro. Lá no pano de fundo tem a presença de um procedimento médico para apagar memórias tristes, que nosso protagonista abomina. Falei mais do livro (sem spoilers!) aqui.

 

a_monster_calls

Aí, foi vez de ouvir A monster calls (Sete minutos depois da meia-noite), do Patrick Ness (2011). Já tinha lido The rest of us just lives here dele e confesso que fiquei querendo mais, o que se repetiu com A monster calls. Aqui, a gente acompanha a história do Conor que, depois que sua mãe é diagnosticada com câncer, passa a ter pesadelos vívidos com um monstro que faz uma visita pra ele todas as noites. Livro rápido, fácil e bastante emotivo, com passagens bem ‘ai, caiu uma coisa aqui no meu olho!’. Ainda assim, queria mais! Sei que já saiu o filme, mas ainda não vi.

the-grownup-cover

Querendo me libertar da tristezinha do Ness, li The grownup (O adulto), da Gillian Flynn (2014), uma novelinha sombria sobre uma pseudo vidente que ganha a vida contando mentirinhas pros clientes (e mantendo um trabalho extra pra lá de diferentão). Um belo dia, uma mãe de família vem implorar pela ajuda da mocinha porque o enteado dela tá possuído. Nossa heroína não acredita em fantasmas, mas acredita que esse pode ser o golpe que vai mudar sua vida. Flynn é muito boa nas reviravoltas e o final não decepciona!

 

the-handmaids-taleSabendo que logo estreia a adaptação no Hulu, fui ler The handmaid’s tale (O conto da aia), da Margaret Atwood (1986) – na verdade, eu ouvi o livro e minha versão era narrada pela Claire Danes! Livrinho assustador, esse! Achei tudo tão passível de virar realidade que fiquei horas pensando, atormentada, que a República de Gilead pode acontecer. Aqui, a gente tem uma narradora que vive num mundo pós-acidente nuclear, onde as mulheres foram privadas de direitos comuns e são divididas em “castas”: as empregadas, as esposas, as aias. Nossa protagonista é uma aia, cuja função mais importante é procriar, já que as aias são as poucas mulheres que têm óvulos viáveis – mas são vistas sob uma mistura de sentimentos: respeito pelo “poder” que ainda têm, desprezo pela posição inferior dentro das casas dos “comandantes” , vivendo sempre sob a expectativa pela geração de bebês saudáveis. Além disso, as mulheres não aprendem mais a ler, não têm mais direito à propriedade e são diferenciadas pelas cores que usam. Enquanto trabalha na casa do Comandante, a Aia relembra a vida que tinha “antes”, a família, o trabalho, o mundo que ficou pra trás. A Atwood cria um mundo incrível e apavorante, onde pessoas são mortas por infringirem as menores regras, onde a mulher se limita ao funcionamento do seu útero, onde os homens consomem o sexo por prazer no mercado negro. Uma baita leitura!

the-unseen-worldVi a Mercedes, do Mery’s Book Musings, falando muito bem de The unseen world, da Liz Moore (2016) – ainda sem título no Brasil, mas li que vai ser publicado aqui, sim. A Ada é uma garota de 12 anos que leva uma vida muito tranquila: filha de um cientista, ela é educada por ele em casa e faz parte do grupo de pesquisa do pai no laboratório onde ele desenvolve um programa de inteligência artificial. Os dois levam uma vida um tanto incomum, com hábitos peculiares e um universo só deles. Mas as coisas mudam quando o pai da Ada, David, é diagnosticado com Alzheimer; antes de “perder” tudo, o David deixa um disquete pra filha com um último enigma pra ela resolver e encontrar as respostas sobre a vida do pai. Um livro muito bonito, narrado em três momentos distintos, que lida não só com a perda e o luto, mas com o se tornar adulto nesse momento de dor, sobre enfrentar o mundo com as nossas diferenças, sobre fazer amigos nos lugares inesperados, sobre os segredos que as pessoas têm medo de revelar. Lindo, lindo e com uma surpresinha no final ❤

annihilationsA decepção do mês foi Annihilation (Aniquilação – Southern Reach #1), do Jeff VanderMeer (2014). Via esse livro em muitos lugares, inclusive nas listas de mais vendidos, e uma galera falando bem dele. Minha experiência foi bem OK porque esperava gostar muito mais: um grupo de pesquisadoras vai até a Área X, uma zona afastada do continente onde a natureza não parece obedecer às leis naturais. Nessa expedição, a 12ª, quatro mulheres têm a missão de catalogar informações sobre essa misteriosa área – uma psicóloga, uma antropologista, uma cartógrafa e uma bióloga, que é a narradora. Todas as expedições feitas antes dessa tiveram resultados bizarros (gente se matando, gente enlouquecendo, gente matando outras pessoas) e desde o início a gente fica com a impressão que tudo não passa de um “jogo”, de uma manipulação mental. Mas o buraco é mais embaixo e aos poucos vai se criando uma tensão com os conflitos e os segredos entre as mulheres presentes. É interessante pra quem curte histórias psicológicas, com bom suspense e cenas estranhíssimas, mas eu esperava mais, em especial depois de todo o bafafá nas internets.

ava-lavander

Mas o mês encerrou muito bem com The strange and beautiful sorrows of Ava Lavender (As estranhas e belas mágoas de Ava Lavender), da Leslie Walton (2014), que vi a Jen Campbell recomendar muito. O romance segue a história dos Roux, narrada pela Ava, que é a descendente mais jovem, e sobre como, desde seu início, a família foi muito peculiar. Misturando elementos de fantasia e realismo mágico, a Walton nos oferece personagens marcantes (o rapaz mais lindo do muito, a mocinha que se torna um passarinho, os fantasmas que aparecem pra visita), em especial a Ava, que nasceu com asas – o que muitos consideram um milagre, outros consideram uma aberração e a Ava vai descobrir esses dois lados da vida de formas muito distintas e, às vezes, dolorosas. Eu sou muito fã de realismo mágico – Cem anos de solidão abriu as portas do mundo pra mim e A casa dos espíritos mora no meu coração – e amei demais Ava Lavender, não só pelos elementos nada convencionais, mas pela forma como a autora usa esses detalhes como metáfora pra explicar a vida e as dores dos personagens. Um livro inesquecível, com passagens lindíssimas e uma certeza: a vida é trágica, mítica e dolorosamente bela.

E foi isso pra janeiro. E vocês, que andam lendo/vendo/ouvindo?

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s