eu leio #10: leitras de março

 

Achei março meio longo, viu? E não de uma forma boa – haha. Mês esquisito, meio enrolado, meio arrastado, MAS acabou e já é abril e vamos em frenteee! Não li tanto quanto achei que leria, mas deu pra manter uma média legal e li umas coisas bem bacaninhas, olha só:

norse mythologyNorse mythology (Mitologia nórdica), do Neil Gaiman (2017): Eu sempre fui fã de mitologia, desde muito nova. Tive a fase de obsessão com os gregos e romanos e depois os celtas, mas confesso que os nórdicos nunca foram meus favoritos. Mas o Sr. Gaiman entende do riscado e faz das lendas que ele selecionou pro livro simplesmente memoráveis – eu ri mesmo e du-vi-do alguém ler a história do hidromel e não repensar seus conceitos alcóolicos! Um livro muito delicinha, indicado pra todas as idades, porque mesmo crianças podem ler sobre o Thor e se divertir com as enrascadas em que ele se mete. Por falar em Thor, o Gaiman faz dele um cara daqueles tipo “forte, mas meio burro”, sabe? Ele só pensa em comer e beber – até ganhar o martelo. Aí ele pensa muito no martelo também. Loki segue o mais sacana de todos, segundo Hollywood nos ensinou, sempre aprontando todas e querendo levar vantagem (Loki, o mais brasileirinho dos nórdicos). Os contos vão desde a criação até o fim do mundo e achei impossível de ler as histórias sem pensar na mitologia que envolve Game of Thrones: gigantes de gelo, mundos secretos nos troncos das árvores, o fim do mundo através do inverno e das guerras e por aí vai. Recomendo muito!

Jeremy Poldark BookJeremy Poldark (Poldark #3), do Winston Graham (1950): Não adianta, eu amo romances históricos. Posso ler de tudo, mas sempre volto pro gênero, feliz e contente, e Poldark não é exceção. No terceiro volume da saga, Ross Poldark vai ser julgado pela participação no saque aos navios naufragados na sua enseada enquanto luta contra as dificuldades que os negócios de mineração trazem. Não é um ano muito bom pros Poldark, já que o primo do Ross, Frances, também tá na pindaíba e, depois de uns desentendimentos, os dois resolvem investir juntos na mina da família. Demelza segue uma das minhas personagens favoritas e eu, que desconfiava que ela só era maravilhosa na série de tv, descubro que o Graham escreveu ela muito bem, sim! Os livros são curtinhos e a série (que vai estrear a terceira temporada em junho), já passou pelo terceiro volume da saga – desconfio que a segunda temporada terminou no quarto livro – mas vou continuar lendo pra descobrir. ATÉ PORQUE preciso saber se uma cena polêmica que passou na série foi inventada (desconfio que não) ou se sempre esteve no livro.

gilded cageGilded cage (Dark gifts #1), da Vic James (2017): Esse aqui foi outro livro que invadiu minha timeline em janeiro e, de tanto falarem, fui ler. Conta a história de duas famílias: uma Comum (exatamente como o nome diz) e uma Equal (aristocrata, com certos dons que controlam e governam os Comuns). A família Comum vai servir os 10 anos de escravidão obrigatórios na casa dos Equals mais importantes da Inglaterra, mas a gente já sabe que nem tudo vai dar certo – os Equals têm três filhos muito diferentes e muito perigosos, cada um do seu jeito, e os Comuns veem a família separada pelos anos de servitude. Alguém vai se apaixonar, alguém vai assassinar uma pessoa e alguém vai tramar pra que tudo dê errado (ou muito certo, depende da tua opinião). Achei bem legal ter vários pontos de vista e a história se passar num mundo quase igual ao nosso, onde a grande diferença é o modo como as pessoas são dominadas. Termina num bom gancho e fiquei curiosa pela sequência.

 

homegoing

Homegoing, da Yaa Gyasi (2016): Livro lindo sobre diferentes gerações da mesma família, separados por um oceano e pelos séculos. Falei mais dele aqui, no Contando Histórias.

thirteen reasons whyThirteen reasons why (Treze razoes porquê) da Jay Asher (2007): Antes de estrear na Netflix, fui ler o livro porque eu tenho essas neuras na minha cabeça louca. Mas que livro mais… esquisito. E não é um elogio. O enredo: o Clay chega em casa um dia da escola e encontra uma caixa com fitas K7 gravadas pela Hannah – uma colega de escola que cometeu suicídio recentemente. O Clay recebeu essas fitas porque ele, de alguma forma, é responsável pela morte da Hannah (ou pelo menos é isso que ela diz) e resolve ouvir as fitas pra descobrir quem são as 13 pessoas que tiveram alguma participação na morte dela. Agora: quem sou eu pra falar mal do livro dos outros, né? Nunca escrevi nada, sei lá… mas achei um livro bem abaixo da média por várias razões: a narrativa é simplória e sem profundidade, os personagens são estereotipados e bastante previsíveis e toda a história que leva até o suicídio da Hannah é muito rasa. Não quero desprezar o sofrimento alheio, muito menos fazer pouco caso da morte da menina, mas acho que, quando alguém se propõe a falar de um tema sério desses, que fale com boa argumentação e não construa a situação sobre futilidades. Acho ótimo que se aborde temas como machismo, ignorância e descaso, mas passei o livro todo me contorcendo, achando tudo muito superficial e, até certo ponto, glamourizado. Espero que a Netflix dê uma melhora nesse roteiro, viu?

warlegganWarleggan (Poldark #4) do Winston Graham (1953): Sim, li dois Poldarks no mês porque NÃO ME AGUENTO. O título desse volume se refere ao George Warleggan, inimigo de infância do Ross Poldark, agora um adulto riquíssimo que tem como missão na vida arruinar a paz dos outros. Aqui, a gente tem o Ross tentando fazer a mina render, o Frances tentando fazer as pazes com a família, a Demelza tentando alimentar todo mundo e o George tentando infernizar geral. Descobri que a cena polêmica sempre existiu no livro e é até um pouco pior do que na série (oh, my!) e o desfecho também é o mesmo da tv – não vou debater em detalhe pra não dar spoilers, mas sei que muita gente desistiu da história depois desse volume, então vou dizer que: personagens fictícios não nasceram pra ser perfeitos e acho louvável e corajoso que o autor escolha fazer do protagonista um ser humano falho. Não me incomoda, até porque discordo da maioria sobre o que de fato aconteceu na tal cena (ler Desonra, do Coetzee, me fez repensar muitas coisas nessa vida). Vou repetir que gosto muito das personagens femininas dessa saga por serem muito bem escritas e coerentes: Demelza pode ser minha favorita, mas a Caroline desponta como concorrente ao pódio, hein! PELAMOR alguém que leia ou assista esse troço me dá um oi porque preciso dividir o vício!

Aristotle_and_Dante_Discover_the_Secrets_of_the_Universe_coverAristotle and Dante discover the secrets of the universe (Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo), do Benjamin Alire Sáenz (2012): Aristóteles é um adolescente meio irritado, que tem dois grandes problemas na vida: (1) ele não pediu pra nascer e (2) o irmão dele tá na cadeia e ninguém fala sobre isso. Num dia de verão, ele conhece o Dante, rapazinho nerd muito peculiar que ensina o Ari a nadar. Os dois formam uma amizade que, com seus altos e baixos, vai resolver muitos os problemas que eles têm e vai, cla-ro, criar outros. Livro fofíssimo sobre a amizade, as descobertas da aborrecência, a família e os laços invisíveis que nos unem nesse mundo. Acho bem bacana que os personagens sejam latinos e que role uma discussão sobre o que é ser mexicano ou não nos EUA. O audiobook é narrado pelo Lin-Manuel Miranda, amadinho e muito talentoso, e confesso que só fui ouvir o livro por causa da narração dele.

Então é isso. Até a próxima!

***

Se tu também quer fazer parte do projeto Contando Histórias e ler um livro comigo, me escreve!

Rafa

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