eu leio #11: leituras de abril

Mais um mês que se foi e abril foi esquisito: não consegui encaixar tantas leituras quanto gostaria, mas o que li, foi bem aproveitado, tá? Também levo em consideração o tempo que eu não passo lendo, que é muito! Tentando mudar, juro!

 

Traitor_to_the_Throne-667x10241. Traitor to the throne (A traidora do trono – Rebel of the Sands #2) da Alwyn Hamilton (2017): O segundo volume da série A Rebelde do Deserto é uma continuação imediata do livro anterior, onde a gente foi apresentado à protagonista, Amani, e agora temos ela apanhada pelo exército do Sultão. Se tu nunca ouviu/leu sobre o livro, trata de uma distopia onde a protagonista, Amani, vive num deserto-fim-de-mundo e tem a chance de fugir quando um forasteiro aparece por lá precisando de ajuda. A história mescla fantasia, mitologia e política, criando um universo onde rebeldes têm umas habilidades meio X-men e lutam para depor o Sultão. A primeira metade do livro foi beeeem arrastada pra mim porque se dedica a uma exploração psicológica da Amani presa no palácio, do sofrimento dela e de todos os planos malucos em que ela se mete. E compensação, descobrimos mais sobre o passado dela e sobre o que o Sultão anda tramando. A outra metade tem um pouco mais de ação, nosso reencontro com os personagens do livro anterior e o avanço dos planos do Príncipe Rebelde (até porque se a mocinha ficasse presa pra sempre, acabaria o livro, né?). Gosto muito do humor da Hamilton e de que os personagens são consistentes; além disso, ela amarra direitinho as pontas da narrativa e, mesmo lidando com personagens meio sobrenaturais, ela consegue capturar bem a essência de cada um. Confesso ter me divertido mais com o primeiro volume, talvez por causa da quantidade de ação que o livro trouxe e da quantidade de informações novas — aqui, um livro de detalhes, com muitos pontos que podem ser aproveitados no próximo volume da série. Ainda em abril a Hamilton anunciou no Twitter que um estúdio comprou os direitos do livro pra um filme, então em breve veremos um ou mais capítulos dessa história na telona (até porque essa vibe desértica se empresta bem pro cinema).

AmericanGods10th2. American Gods (Deuses Americanos), do Neil Gaiman (2001): FINALMENTE! Eita que me amarrei pra ler esse livro! Já tinha lido outras coisas do Gaiman, mas estava curiosa pra ler esse livro que deixou ele tão famoso. Eu já tinha começado ele ano passado, mas não me empolguei e acabei largando; PORÉM a estreia da série no STARZ me colocou uma pressãozinha pra ler logo e descobrir o motivo da adoração toda. Na introdução da edição comemorativa de dez anos, o Gaiman mesmo diz que esse American Gods não é um livro fácil e que normalmente as pessoas amam ou odeiam. Sinceramente, o Gods é muito diferente da minha experiência com o que eu já li da obra do autor e senti um estranhamento muito grande no começo, mas acredito que a dificuldade inicial tenha sido a de entrar no ritmo, mesmo. Se tu não sabe do que se trata, o livro segue a história do Shadow, um presidiário que é libertado pra poder comparecer no velório da esposa (que morre uns três dias antes da soltura do marido) e, por obra divina, acaba encontrando o Sr. Wednesday num avião, que oferece um emprego pro Shadow como seu “menino de recados” pessoal. A partir daí, a gente embarca numa viagem que percorre os EUA, conhecendo personagens memoráveis, vivendo situações incríveis e explorando as ligações entre os deuses e as pessoas que acreditam neles. Olha, quando esse povo celestial começa a aparecer, eu me senti meio perdida e tive certa dificuldade de identificar a galera, mas encontrei vários sites de referência pra leitura do livro que explicam quem é quem. O grande lance da narrativa é que os deuses milenares (Odin, Anúbis, Ostara, etc.) existem no nosso mundo como pessoas reais, de carne e osso, mas estão com os dias contados porque os novos deuses estão ganhando força (Tecnologia, Mídia, Dinheiro, etc.). Depois do impacto inicial, a gente se acostuma com o texto e, mesmo não sendo a leitura mais rápida que eu já fiz — porque fiquei obcecada com os detalhes — me diverti bastante com os conflitos entre os velhos e os novos deuses. Então, não odiei o livro, mas também não amei, sabe? Acho que porque esperava mais do final. CONTUDO, estou ansiosíssima pela estreia da adaptação porque o genial Bryan Fuller (responsável pela delícia que foi Hannibal) é o responsável pelo projeto, além do roteiro ter sido escrito pelo próprio Gaiman (que já adiantou que a primeira temporada não cobre nem a primeira parte do livro, então ainda dá tempo de ler se tu ficou curioso!).

P.S.: A série estreou no domingo, 30/04, e dá assistir por aqui na Amazon Video. Só queria dizer que o primeiro episódio foi espetacular, um banquete pros meus olhinhos como só o Fuller consegue fazer. Deu pra perceber que vai ter um ritmo mais lento que o livro, mesmo e que alguns pontos da narrativa vão ser estendidos e explorados mais. QUE MA-RA-VI-LHA! ❤

the late bourgeois world3. The Late Bourgeois (O falecido mundo burguês), da Nadine Gordimer (1966): Gordimer sempre foi um nome que ouvi durante a faculdade, mas nunca tive a chance de ler. São poucas as obras dela traduzidas e tinha a impressão de que elas estavam muito acima do meu entendimento porque volta e meia eu lia sobre a autora num texto teórico. Aí o Guilherme sugeriu que a gente lesse algum livro da Gordimer pro Contanto Histórias e achei uma boa oportunidade boa pra conhecer o texto, então em breve vai ter um post falando da nossa leitura. Mas adianto que O falecido mundo burguês foi uma grata surpresa e que, apesar de ser uma novela, é bastante denso sem ser mega complexo ou chato.

the lonely hearts hotel4. The Lonely Hearts Hotel, da Heather O’Neill (2017): Vi o Simon, do Savidge Reads, falando muito bem desse livro e fiquei muito curiosa pela definição dele de “um conto de fadas para adultos”. TÁ PRA MIM! O livro segue dois órfãos, a Rose e o Pierrot, na Montreal dos anos 1920/1930, e a história de amor deles que começa na infância. Com um toque de realismo mágico e uma pitada de fantasia, a narrativa é lindíssima e meu coraçãozinho suspirou e também doeu com alguma passagens. Mas, apesar desse sentimento de “nossa, que lindo,” nem sempre é uma leitura fácil: tem violência (abusos, abortos e assassinatos), tem drogas (muito álcool e heroína) e tem sexo (pra caramba) e acho que tudo isso se completa muito bem e contrasta de forma excepcional com o lado mais bem-humorado da história. Os protagonistas são incríveis, redondinhos e super originais: a Rose é tipo Branca de Neve que se une a uma trupe de palhaços e o resultado é “olha que maravilhosa essa ideia!” enquanto o Pierrot é tipo o gênio atormentado e o romântico desesperado, o que resulta num amor sem igual. Gostei de como a autora discute a situação das mulheres da época, da cidade meio encantada e meio decadente que ela cria e das doses de sabedoria espalhadas aqui e ali, além de ter um final surpreendente e adorável (e altamente satisfatório!). Uma leitura nem sempre fácil porque trata com profundidade da solidão e do que fazemos pra fugir dela, de como nossos caminhos podem ser tortos e da (a)moralidade em cada um de nós. Um livro e tanto, que recomendo com o coração na mão! A melhor leitura do mês e um dos mais bacanudos do ano até agora, que me deu vontade de ler as outras obras da O’Neill.

***

Então é isso, folks. Andam lendo o quê? Conta pra mim!

Quer ler comigo? Me escreve, vamos escolher um livro pra gente (;

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