eu leio #12: leituras de maio

Eita que maio acabou e eu descobri que li bastantinho esse mês. Algumas leituras surpreendentes, outras mais ou menos, nenhuma ruim. Assim é bom, né?

lady of the rivers1. The Lady of the Rivers (A senhora das águas – The cousin’s war #1), da Phillipa Gregory (2011):  Já não é segredo que eu amo um romance histórico e dessa vez resolvi experimentar a Phillipa Gregory porque estreou The white princess no STARZ (e eu não entendi direito) e lembrei que não terminei de ver The white queen, por isso resolvi ler a série desde o começo — já se perdeu? CALMA: The cousin’s war é uma série de livros da Gregory (que estão virado série de tv no canal STARZ) que segue os descendentes da Jacquetta de Luxemburgo e de como as mulheres da família tendem a servir (e a se envolver com) as famílias reais. A Jacquetta é de uma família nobre – que inclusive manteve a Joana d’Arc prisioneira, com quem a Jacquetta faz amizade – e ela casa muito bem, com o regente da Inglaterra na França, o Duque de Bedford, que vem a ser tio do rei Henrique VI. Quando fica viúva, a mocinha se apaixona pelo escudeiro do falecido marido, Richard, e a partir daí passam a servir o rei e os altos e baixos da eterna disputa pelo trono francês. Sim, tem muita política envolvida e às vezes dá um nó na cabeça, é um pouco difícil de seguir e não achei lá essa maravilha toda. Só fui ler porque queria entender melhor a série, mas parece que teria que ler todo o resto pra compreender melhor o drama – ainda considero ler, mais pelo meu entendimento do que por ter gostado muito do estilo do romance e porque eu gosto das intrigas envolvendo reis e rainhas da vida real.

exit west2. Exit west, do Mohsin Hamid (2017): Depois de ver um vídeo onde o Simon Savidge falava muito bem do livro, resolvi ler. Fala do Saeed, que vive uma vida pacata, e da Nadia, que finalmente conquistou a liberdade ao sair da casa dos pais, e de como eles se apaixonam às vésperas de um conflito armado que vai atingir o país em que eles moram. Cada vez mais e mais pessoas querem fugir da região com medo dos rebeldes e das forças oficiais, mas o governo suspendeu a saída dos cidadãos. Parece familiar? É nesse contexto que começam a surgir portas um tanto mágicas, que levam a outros lugares, a outros países, onde se pode ser livre. Basta ter dinheiro para atravessar porque os donos das portas não podem simplesmente deixar todo mundo passar, não é? Nadia e Saeed resolvem abandonar a pátria e atravessam uma dessas portas em busca de uma vida melhor, longe do conflito e da violência, mas vão descobrir que nem todas as pessoas do outro lado da porta estão felizes com a chegada deles. Uma bela história sobre superação, uma alegoria sobre a situação dos refugiados na atualidade, uma leitura que te convida a refletir sobre o drama de quem perdeu o lar, a família e a própria identidade. Confesso que esperava mais, de um modo geral, mas Exit west não deixou de me surpreender pela originalidade e pela simplicidade com que aborda um dos temas mais relevante das últimas décadas.

maus

 

3. Maus, do Art Spielgelman (1986): Esse foi o livro escolhido por mim e pela Letícia pro nosso Contando Histórias. Conta a história dos pais do Artie durante a Segunda Guerra Mundial em forma de história em quadrinhos, o que por si só já é fantástico. Um livro que dói, lindíssimo, difícil e poderoso. Em breve, falaremos mais dele!

 

 

4. Paper Girls (vol. 1), do Brian Vaughn (2016): Fazia muito tempo que eu tava de olho nessa HQ e não me arrependi do investimento. A história segue um grupo de quatro garotas que, aos 12 anos, trabalham entregando jornal no bairro onde moram, em plenos anos 1980. Na madrugada do Halloween, elas saem pras entregas, mas acabam tropeçando numa encrenca danada que envolve viagem no tempo, assassinatos e conspirações. O enredo me lembra um pouco Stranger Things, mas estrelado por meninas e bem mais maluco, com direito a um alfabeto em código, monstros que parecem dinossauros, adultos ausentes e crianças cativantes. Gostei muito das personagens porque elas são bem distintas entre si e quero muito saber no que vai dar essa loucura toda. Além disso, a arte é lindíssima, com um trabalho de cores surpreendente (especialmente quando as cenas são à noite e os quadros parecem mesmo em neon), os diálogos são interessantes e as garotas são bem espertinhas. Continuarei lendo, com certeza!

5. A gigantesca barba do mal (The gigantic beard that was evil), do Stephen Collins (2013): Na ilha de Aqui, tudo funciona em perfeita ordem: as ruas são limpas, as pessoas são ordenadas, tudo funciona quando tem que funcionar, todos sabem qual seu dever — mas ninguém gosta muito da ideia do que existe além de Aqui: que, depois do oceano, exista um Lá, uma terra onde coisas horríveis acontecem, coisas dignas de pesadelos. Mas, um dia, a ordem de Aqui é corrompida pelo Dave e pela sua barba que, de um único e solitário fio, passa a ser uma algo monstruoso e incontrolável. Como é que as pessoas da pacata Aqui vão lidar com o caos e com diferença que o Dave e sua barba do mal trazem? Um grande comentário sobre a sociedade atual e os medos do mundo moderno, o Collins foi muito feliz em usar a barba como mote pra essa história. A arte é linda, toda em preto e branco, e os traços são às vezes delicados e às vezes fortes e delineiam muito bem a narrativa. Uma alegoria pra falar da solidão, do estranho, do inesperado, dos desejos de individualidade numa sociedade que nos quer iguais, da liberdade, do medo do outro, da aceitação e da perda. Recomendo muito!

the long way6. The long way to a small, angry planet (Wayfarers #1), da Becky Chambers (2014): Com certeza, um dos livros mais estranhos e cativantes que li esse ano e que conta a história de uma série de personagens viajando dentro da nave Wayfarer, que é especialista na construção de buracos de minhoca. Situada num futuro nem tão distante, a narrativa começa com a chegada da Rosemary Harper, uma marciana que acaba de ser contratada como secretária/auxiliar pra cuidar da documentação da nave. Ali, ela vai conhecer os tripulantes, vindos das partes mais distintas da galáxia, cada um com sua cultura e raça únicas, o que forma um elenco muito diverso e, por vezes, um pouco difícil de imaginar: tem humanos (que já abandonaram a Terra há tempos e vivem em outros planetas e luas), tem repteis humanoides (meio lagarto, meio crocodilo), tem uma mistura de foca e centopeia, tem uma espécie de vidente (essencial pra tarefa espacial) e tem uma IA incrível. Pra quem curte fantasia e/ou ficção científica, é um prato cheio! No começo é meio complicado ir formando todas essas conexões na cabeça, mas a autora é esperta e vai contando das mudanças aos poucos — o livro é muito mais focado nos personagens do que na história desse universo e o fio condutor é o contrato novo que o pessoal recebe pra criar um buraco de acesso pra uma das nações/planetas meio rebeldes. Como toda boa saga, o livro conquistou seguidores e já tem uma wiki pra tirar as dúvidas e compartilhar informações. Li por aí que o livro deve sair em português pela DarkSide ainda esse ano.

hunted7. Hunted, da Meagan Spooner (2017): Uma recontação da história da Bela e a Fera, Hunted não traz nada de muito novo pro contexto desse conto de fadas já tão conhecido, mas acho que o lançamento foi safadeenho por se aproveitar da popularidade do filme e da possibilidade do público revisitar a fábula. Aqui, a Yeva (cujo nome de batismo é Beauty) mora com o pai e com duas irmãs numa vila do que imagino ser a Rússia na Idade Média, onde a Yeva faz parte da corte da baronesa. Mas a Yeva não é muito feliz com essa vida de dama de companhia porque o que ela mais ama é caçar e explorar a floresta com o pai; acontece que não pega bem pra mocinhas em idade casadoira saírem por aí caçando, né? Tudo muda quando o pai dela perde a fortuna num empreendimento arriscado e a família é obrigada a se mudar pra cabana que eles têm numa floresta isolada, onde o pai retoma o amor pela caça ao mesmo tempo em que fica obcecado pela Besta que ele nunca conseguiu capturar. Claaaaro que papai desaparece e Yeva tem que prover pra família e claaaaro que ela vai encasquetar de ir atrás do pai e claaaaro que ela cai nas mãos da Besta. O bicho vive num mundo gelado e um tanto encantado, onde outras criaturas míticas e folclóricas vivem — inclusive tem uma lenda que explicaria o surgimento da Besta e é tudo bem amarradinho na narrativa. Uma das coisas que me surpreendeu no romance foi como autora nos poupa do romantismo exagerado que quase sempre acompanha essas recontações: não achei romântico e a relação entre Bela e Fera fica muito próxima da amizade e de um amor mais platônico. Achei interessante a Spooner dar voz a Besta, em capítulos próprios, onde o leitor pode entender um pouco melhor como a criatura pensa e funciona.

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8. 30 e poucos e uma máquina do tempo (Every anxious wave), da Mo Daviau (2016): recebi esse livro da querida Rebeca, do blog Papel Papel, com a promessa de que seria inesperado e foi mesmo! Que viagem, gente! Karl Bender é um ex-quase-famoso guitarrista de uma banda de sucesso medíocre nos anos 1990 e hoje, aos trinta e poucos, é dono de um bar bem meia-boca onde, inesperadamente, ele descobre um buraco de minhoca que o leva pro passado, pra qualquer show que ele queira ver. Karl e o amigo nerd Wayne fazem do buraco um negócio underground e vão ganhando uma grana até que, num momento nervoso em que Wayne queria impedir o assassinato de John Lennon em 1980, o Karl acaba fazendo merdinha com os controles e manda o melhor pra 980. Seria engraçado se pra voltar ao presente o viajante não precisasse de uma fonte de energia e de um smartphone operante. Aí começa a saga do Karl pra trazer o Wayne de volta e é nesse empreitada que ele conhece a Lena, uma estudante de astrofísica que tem o potencial de ajudar a resolver o probleminha, se não fossem alguns empecilhos: Lena tem muitos problemas na vida; talvez Wayne não queria voltar; Lena também quer ver uns shows no passado pra “entender como funciona o buraco”; Karl tá apaixonado pela Lena; Wayne não quer voltar; Karl viaja pro futuro e descobre umas coisas bizarras; talvez Lena possa mudar o passado. É tudo muito louco assim mesmo, mas é divertido, sem dados muito técnicos sobre a física envolvida, sabe? Além disso, tem uns diálogos engraçadinhos e umas referências a bandas que nunca ouvi falar (porque não sou cool). Tropecei algumas vezes na tradução, mas deve ser chatice minha, porque o livro é divertido e eu li rápido. É um livro inusitado, com personagens interessantes (ainda que eu tenha gostado mais da Lena do que do narrador) e trata, de forma muito leve, das escolhas que cada um faz e das consequências dos nossos atos, pro bem e pro mal.

shatter me9. Shatter me (Shatter me #1), da Tahereh Mafi (2011): Juliette tem 17 anos e há 3 ela tá internada num instituto sem ver ou tocar outra pessoa. Na verdade, ela não pode tocar ninguém porque nasceu com um probleminha: toda vez que ela encosta numa pessoa, essa pessoa morre. Ok, isso só aconteceu uma vez, mas foi o bastante pra que os pais dela tenham decidido que é melhor pra todo mundo se ela ficar isolada e longe das outras pessoas. Quando a Juliette foi internada, o mundo tava começando a mudar: não tinha mais comida pra todos, as plantações tavam morrendo, os pássaros não voavam mais, até o céu tinha mudado de cor; foi aí que o Restabelecimento surgiu com a promessa de dias melhores e mais justos, mas parece que não foi bem assim. Agora, a Juliette sabe que o Restabelecimento quer usar esse “poder” letal dela como uma arma na guerra que tá se armando e ela não tá nenhum pouco feliz – até porque tudo que ela sempre quis na vida foi tocar em alguém sem medo. Talvez isso seja possível, mas com uma única pessoa que parece imune: o misterioso Adam, novo companheiro de cela da Juliette. Eu achei o primeiro volume bem bacaninha, instigante, porque queria ler logo pra saber como as coisas iam se resolver, ainda mais depois da entrada do vilão. Eu ouvi o audiobook e gostei demais da narradora e da forma como ela consegue mudar a voz pros personagens. A autora é esperta em criar personagens engraçados e bem diferentes entre si, mas que se encaixam bem no enredo. Já comecei a ler o segundo volume porque fiquei curiosa com o final de Shatter me!

the woman in black10. The woman in black, da Susan Hill (1983): Tava ouvindo o The readers outro dia e eles falaram desse livro como um dos mais perturbadores que eles já tinham lido. Claro que eu já assisti A mulher de preto, mas sempre tive curiosidade sobre o livro e sobre como a inquietação que o filme me traz tava representada nas páginas. Pois bem, o livro é mesmo inquietante, bem no estilo das histórias clássicas de fantasmas: um narrador de certa idade recontando um caso da juventude, quando ele ainda era cheio de convicções e ideias prontas, examinando essa situação que ele nunca mais esqueceu sobre seu encontro com uma assombração e as consequências disso. Arthur Kipp é um advogado ainda jovem e promissor quando é enviado pra Eel Marsh House, no nordeste da Inglaterra, pra tratar dos assuntos da falecida Sra. Drablow. Ao chegar na cidade, ele percebe que a falecida não era muito popular entre os vizinhos já que apenas ele e um representante local vão ao enterro; na igreja, o Arthur percebe que tem uma mulher também, que parece ter vindo pra cerimônia, mas o outro cara não vê ninguém e prefere não comentar. Claro que o Arthur vai trabalhar na casa da falecida Drablow, recolhendo papeis e documentos, e é claro que coisas bizarras acontecem por lá, um lugarzinho particularmente propenso a terrores: a casa fica numa ilha e quando a maré sobe, ela fica inacessível. O pobre Arthur não entende bem o que tá acontecendo quando ouve uma criança no brejo lá fora, nem quando ouve um cavalo que nunca aparece, nem quando uns barulhos bizarros vêm de dentro de um dos quartos. Aos poucos, ele vai juntando todas as pistas e descobre umas cartas que explicam a situação e o que ele não resolve sozinho, alguém conta. Não posso dizer que é a coisa mais assustadora que já li porque não tenho hábito de ler terror, mas dá um ruim, sim, uma sensação de que tem alguém te olhando ali do canto. O final é diferente do filme, mas igualmente trágico.

***

E vocês, que andam lendo?

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