eu leio #13: leituras de junho

Junho teve uma queda no número de leituras, deu pra ver, já que eu viajei e descobri que 1) ler durante a viagem foi mais complexo do que eu imaginava e 2) ler no aeroporto até rende, mas a pessoa precisa de determinação 😛

Comprei alguns livros na viagem e a pilha ali na mesa de cabeceira tá grandinha, viu. Então é provável que eu tire o atraso nos próximos meses e compense esse junho pobrinho em leituras.

little deaths1. Little deaths, da Emma Flint (2017): Num dia de verão de 1965, Ruth Malone descobre que seus dois filhos pequenos, Frank Jr. e Cindy, desapareceram. A polícia é chamada, a imprensa aparece, os vizinhos querem ajudar. Uma das crianças é encontrada morta e as coisas começam a complicar muito pra Ruth. Um dos jornalistas cobrindo o caso fica obcecado pela Sra. Malone e passa a seguir todos os seus movimentos. A polícia tem certeza de que Ruth matou as crianças e o jornalista tem certeza de que ela é inocente. O grande crime da Ruth, no entanto, é ser quem ela é: uma mulher divorciada, mãe solteira, que trabalha à noite num bar, que sai com homens casados, que os leva pra dentro de casa, que bebe e se diverte como se fosse um homem. Uma mulher dessas não pode cuidar dos filhos, né? O trunfo de Little deaths é exatamente a situação da personagem principal e como os outros a percebem; a Flint vai esticando essa tensão social e moral até o limite, desenhando personalidades bastante verídicas, nos deixando na dúvida sobre o verdadeiro culpado, mas expondo uma sociedade machista e retrógrada onde a polícia é incapaz de ver além da superfície e onde a obsessão do jornalista não serve pra nada além de alimentar a imagem da Ruth como uma mulher desejável e frívola. A narrativa tem vários pontos de vista e o que menos gostei foi o do jornalista; as seções que pertencem a Ruth são reveladoras, traçam muito bem o drama da personagem e dão uma vida especial ao romance.

the madness of lord ian mackenzie2. The madness of Lord Ian Mackenzie (A loucura do Lord Ian Mackenzie – Mackenzies & Macbrides #1), da Jennifer Ashley (2009): Essa aqui foi a leitura safadeenha do mês — sabe aquele livro que tu lê pra esquecer de todo o resto, pra não pensar em nada? Tipo comédia romântica, só pelo prazer mesmo. Numa das minhas visitas ao Buzzfeed Books eu me deparei com essa sugestão e, como o livro se passava na Escócia, me joguei. Conta a história da Beth Ackerley e do encontro dela com o Ian Mackenzie, conhecido em Londres por ser louco e extravagante. O Lord impede que Beth fique noiva de um outro cara e decide se casar com ela, porque né, quem nunca. Beth é a mais nova rica da cidade, mas fica na dúvida sobre aceitar o pedido de casamento porque os Mackenzie tem fama de serem meio doidos (o Ian inclusive esteve internado num sanatório) e porque eles estão envolvidos nuns assassinatos aí, mas juram que não. Partidão? O livro mistura um suspense com um romance, cenas calientes e um final óbvio, mas quem sou eu pra julgar, né.  Narrativa bem ok, tudo amarradinho, mas não espere uma leitura tipo Outlander, porque não é isso, não. É divertido, mas nada demais.

the little red charis

3. The little red chairs, da Edna O’Brien (2015): Numa vilazinha da Irlanda, um estrangeiro chega causando alvoroço, prometendo ser um curandeiro com suas práticas não-convencionais: cura com cristais, massagem, terapeuta sexual. No começo, o pessoal fica meio desconfiado, mas aos poucos o Dr. Vlad vai conquistando seu espaço na comunidade. Uma das moradoras, Fidelma, há anos tenta engravidar sem sucesso; é quando, deslumbrada com a sabedoria e os modos do doutor, ela sugere que os dois tenham um caso para ver se ela engravida. Bingo. Acontece que o Dr. Vlad não é quem ele diz ser e logo o segredo que ele carrega vai desolar as pessoas que o acolheram tão bem, em especial a Fidelma, que espera um filho de um criminoso de guerra. Com uma narrativa certeira e às vezes até crua, a O’Brien nos leva pra dentro de uma situação complexa e muito atual: o drama dos refugiados, dos imigrantes e dos sobreviventes de guerra. Até metade do livro, eu tava achando bom, mas depois de certos acontecimentos, a narrativa assume uma grandiosidade dolorosa, expondo as dores, as lutas e as conquistas daqueles que perdem ou deixam seu lar pra tentar uma vida melhor (ou apenas uma vida) em outro lugar. Um livro que me partiu o coração diversas vezes, de uma beleza simples e inovadora. Pra ler com o coração na mão.

 

***

Já leu algum desses? Quer me contar o que anda lendo? Deixa um comentário (;

Até mais!

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4 thoughts on “eu leio #13: leituras de junho

  1. Adorei suas leituras, esse mês de junho fiquei com preguiça de ler também. Terminei fiquei com seu número, uma leitura simples e que nos deixa empolgado e alegre.. estava iniciando um do Harlan Coben..

    • né? junho/julho dá uma preguicinha. Deve se o inverno! Eu adoro essas leituras bobinhas em meio às mais sérias. Não conheço Fiquei com seu número, mas a autora é famosa. Vou colocar na lista 😉 Sabe que nunca li Harlan Coben? É mistério/thriller?

      • É suspense policial, eu estou em uma leitura conjunta com mais duas amigas em um grupo.. mas estou em ressaca literária.. mas voltarei com tudo próxima semana.

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